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Papa Bento XVI elogia a RCC e outros Moviemtos Eclesiais! (2009) |
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Autor: Fonte: Zenit - Carta completa: Lettera di Benedetto XVI per i 75 anni del Cardinale Cordes |
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Em carta ao Cardeal Josef Cordes, Bento XVI parabeniza o cardeal alemão pelo seu 75º aniversário natalício e, em tom familiar, aproveita a ocasião para agradecer-lhe as cinco décadas de serviço a Deus e à Igreja. O Cardeal Cordes é o presidente do Pontifício Conselho “Cor Unum”, órgão em que trabalha há quase 15 anos.
O que chama a atenção na carta do Papa, além da informalidade, é o elogio dos novos movimentos eclesiais, entre os quais o Papa destaca o Caminho Neocatecumenal, Comunhão e Libertação e o Movimento Carismático. Estes movimentos sempre tiveram no Cardeal Cordes um promotor e um defensor.
Diz o Pontífice: “Enquanto os organizadores e os planejadores na Igreja, a princípio, nutriam muitas reservas em relação aos movimentos, tu imediatamente percebeste a vida que dali irrompia – a força do Espírito Santo que dá caminhos novos à Igreja e que, de maneira imprevisível, a mantém sempre jovem”. E acrescenta: “Reconheceste o caráter pentecostal destes movimentos e te empenhaste apaixonadamente para conseguir que fossem acolhidos pelos pastores da Igreja”.
Mas o Papa reconhece também que “havia, com frequência bons motivos para escandalizar-se porque surgiram coisas novas e imprevistas que nem sempre se deixavam reorientar, sem dificuldades, para as formas organizativas existentes”. E diz ainda que “estes movimentos devem ser ordenados e reconduzidos ao interior da totalidade; devem aprender a reconhecer os seus limites e a se tornar parte da realidade comunitária da Igreja na sua constituição própria, juntamente com o Papa e com os bispos. Têm, portanto, necessidade de guia e também de purificação para poder atingir a forma de sua verdadeira maturidade”.
E conclui: “Estes, todavia, são dons pelos quais devemos ser gratos. Não é mais possível pensar na vida da Igreja do nosso tempo sem perceber nela estes dons de Deus”.
Meus amigos carismáticos têm o presente de Natal que queriam! Já aguardo os e-mails com as infalíveis palavras: “Viu? O Papa apoia a RCC!”, ou, “O Papa diz que é o Espírito Santo que está agindo!”, ou ainda, “A RCC é a face jovem da Igreja!”.
Na verdade, amigos, é bem menos. Em primeiro lugar, a RCC é citada no contexto dos novos movimentos, ao lado do Caminho Neocatecumenal, por exemplo. E esta companhia é bastante importante para entendermos as palavras do Sumo Pontífice.
De fato, o Papa reconhece que o Espírito Santo sempre dá novos dons e caminhos à Igreja e a mantém sempre jovem. Não há uma época de sua história em que a Igreja tenha sido privada desta abundância pentecostal ou tenha tido uma face encarquilhada. Não é a RCC a face jovem da Igreja, uma vez que a Igreja não tem duas ou mais faces. A Igreja não começou a existir ou renasceu das cinzas depois do Concílio Vaticano II ou do surgimento destes novos movimentos. Os movimentos são, na medida de sua eclesialidade, também eles manifestação desta efusão contínua de dons e jovialidade da Igreja.
O Papa, ele próprio dotado de um carisma único e imprescindível à vida da Igreja, e unidos a ele, também os bispos, são os responsáveis pelo discernimento dos carismas, pela sua correta ordenação e pelas correções que se fizerem necessárias. O elogio de hoje pode se tornar a censura de amanhã e vice-e-versa.
Como exemplo cito a recente aprovação dos estatutos do Caminho Neocatecumenal. Antes de aprová-los a Santa Sé exigiu, entre outras coisas, que se adequassem às leis litúrgicas da Igreja. O mesmo vale para a RCC e para qualquer outro movimento eclesial. Necessitam de “guia” e de “purificação”.
Como não canso de dizer a meus amigos carismáticos, eles estão entre as pessoas mais dedicadas à oração e ao serviço na Igreja que conheço, mas isto não dá ao movimento carismático uma espécie de infalibilidade em suas teorias e práticas religiosas.
Há muitas doutrinas estranhas sendo disseminadas; em geral, produto de leituras e interpretações pessoais das Sagradas Escrituras. Outra fonte constante destas doutrinas são as pretensas “revelações” particulares, mais comuns na RCC que em qualquer outro movimento eclesial. É preciso dar um basta nisto!
As práticas estranhas também devem muito a uma interpretação equivocada da Escritura. Mas não se deve excluir o papel que nisto desempenham certos grupos e líderes cuja inclinação para o extravagante desconhece limites. A ânsia de “experiências” espirituais extraordinárias acabou por caracterizar a RCC como “línguas, repouso e curas”. Estes fenômenos despertam também em muitos fiéis católicos alguma curiosidade, um misto de espanto e interesse; em outros, geram não pouca perplexidade. E tais práticas não tardaram a penetrar no recinto sagrado da Liturgia.
Vê-se, portanto, que a Sagrada Liturgia é o problema mais visível destes dois movimentos, quando poderia ser a solução. O caráter pedagógico da liturgia – pela integridade da fé professada, pelo verdadeiro alimento espiritual recebido, pela sua catolicidade – poderia ser o antídoto contra os venenos da heresia, do falso misticismo e do sectarismo. A Sagrada Liturgia pode não ser a panaceia para todos os problemas da RCC e demais movimentos, mas contém em si uma força capaz de reorientar na direção católica os numerosos grupos de oração existentes em nossas paróquias e dioceses.
Ou se deixam conduzir e corrigir pela Igreja, ou são fadados ao desaparecimento. Não é demais lembrar que a promessa “e as portas do inferno não prevalecerão” foi feita à Igreja e não a qualquer um dos movimentos de seu interior. Outros já surgiram anteriormente e desapareceram com o tempo e, goste-se ou não disto, é uma possibilidade no horizonte dos novos movimentos.
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